2004/03/08

Eu, o George W. Bush e o aeroporto

Podeis não acreditar mas aquela máxima que muitos pessoas aplicam para sustentar a sua vertente acérrima das suas tendências politícas também se pratica comigo mas noutros tons. Não sei se já ouviram dizer do género: " Sou do PS desde pequenino até tenho uma foto com o Mário Soares, ao colo dele". É isso mesmo, o Bush andou comigo ao colo. Apesar de discordar das suas ideologias o meu pai quando estava nos States foi ao seu rancho no Texas e fez questão que “moi même” ficasse ao seu colo rodeado de vacas e toiros bravos . Porquê não sei. Mas havia qualquer coisa de genialidade naquele ser profundo com um Karma deveras promissor e um Nirvana sublime. E não me enganei. Todos sabemos agora quem ele é. De rancheiro desconhecido passou a Presidente dos Estados Unidos. Mas isso é outra estória.

Quando fui ao centro do Mundo não ao do Júlio Verne, aproveitei a deixa da foto e resolvi passar pela Casa Branca. Lembro-me que Washington à tarde é bem mais bonita que à noite. O Bush foi uma simpatia em pessoa mas estava muito pesaroso porque o seu fiel companheiro(o cão) tinha falecido. Coitado, mesmo assim aguentou 14 longínquos e profusos anos na companhia do Iluminado, The Lord of The Ring, mas sem return, Aleluia, brother!!! Como sabem nem todos tem a sorte de privar com George mas eu tive essa felicidade e resolvi pôr a conversa em dia. Uma espécie de entrevista que aqui transcrevo na sua plenitude mas a saber a pouco. Tudo porque estava muito atarefado na procura de armas maciças no seu jardim. Como sabem ele jurou a pés juntos que havia as ditas cujas só que não sabe ao certo onde elas se esconderam. Obstinação não lhe falta isso é verdade.

Quando lhe perguntei o porque dos E.U.A gastarem tantos bilhões de dólares na investigação especial com a NASA ele foi directo e pragmático :"É tempo para a raça humana entrar no sistema solar." Pensam que o George não é altruísta? Pois enganam-se. E disse mais: "Se não tivermos sucesso, corremos o risco de fracassar". É verdade George, como diria a minha amiga Lili: " "Estar vivo é o contrário de estar morto". Pensei longo, tantas semelhanças semânticas se calhar até tem alguma afinidade. Por exemplo, ambos gostam de vacas e preocupam-se com o ambiente, os plásticos são sempre reciclados. Um dia quem sabe se não faço a àrvore geneológica de ambos? Tem tantas coisas em comum que até parecem gémeos...mas adiante.

Fiquei curioso com tamanha sapiência e perguntei-lhe o que achava do potencial candidato democrata à Sala Oral, um tal Kerry que está casado com uma das Ketchup? O George não se mostrou preocupado com o seu concorrente às presidenciais mas sim apreensivo com a abstenção: "Um número baixo de votantes é uma indicação de que menos pessoas estão a ir votar." E isso sim, preocupa-o. Além do mais conta com apoio dos judeus endinheirados para patrocinar a sua campanha. Aí fez uma pausa... uma longa pausa e disse-me: ""O Holocausto foi um período obsceno na história de nossa nação".Notei sinceridade. O seu timbre não era "merchandising" político, ao pé de mim estava ali um homem honesto.


Quando abordei a politíca externa fiquei logo desarmado com a rapidez da sua resposta:"A grande maioria de nossas importações vêm de fora do país." Já sabia que algumas vinham de dentro mas o que ele quis reforçar, é que a maior parte vem de fora.E quando falei do seu grande calcanhar de Aquiles, a educação, prontamente me garantiu que muito em breve: "Vamos ter o povo americano mais bem educado do Mundo". Era para lhe dizer se portugueses estavamos incluídos mas não o quis maçar com tamanha arrogância da minha parte.

Vi um brilhozinho nos olhos (como diz Sérgio Godinho), quando lhe falei da guerra do Iraque. Apesar de o pior já ter passado estão em alerta. Sussurou-me para ninguém ver (esperto este Bush):"Nós estamos preparados para qualquer imprevisto que possa ocorrer ou não." E porque tens assim tanta confiança George? "Eu creio que nos dirigimos de modo irreversível no sentido de mais liberdade e democracia - mas isso pode mudar." Ahhhh!!! Sempre pode mudar Gio. Apesar de acreditar que é irreversível. Nisso estou de acordo contigo. E somente sorriu e deu-me mais umas bejecas que as filhas tinham deixado na noite anterior.Falei-lhe que a Budweiser não era das minhas preferidas mas à falta de melhor, venha o Bush e escolha.O que me caía que nem ginja era uma Sagres.O George aproveitou logo a deixa para dizer no seu sotaque tipicamente americano que esperava estar com o Burrosso até ao final do ano porque ouvira maravilhas da capital de Espanha. Também gostava de lá ir.

Já se fazia tarde e tinha marcado o meu regresso a Lisboa às 8 horas do dia seguinte. Despedi-me do Bush com um grande abraço e com a promessa que um dia iria ter comigo fazer-me uma visita. Estava terrivelmente chateado porque já eram 23 horas e sabia que de uma directa não me safava. Á meia-noite tinha de estar no aeroporto para o check-in. Depois tinha que me despir e vestir pelo menos 4 ou 5 vezes. Tem lá gajas que se despem mais do que no Elefante Branco. Detesto ficar na fase 1 de sapatos e peúgas. E se embirram com o tom de pele? É logo na hora um TAC. Com testes de pigmentação, urina e sangue. A estes americanos não lhes escapa nada. Todo o cuidado é pouco. Disseram-me que uma vez com uma simples análise de rotina que fazem aos passageiros descobriram um indivíduo com Antrax no sangue. Para não falar nos inúmeros casos de plutónio que encontram nas solas dos sapatos. Segurança de Estado é lá com eles. E finalmente conseguir despachar, o Ph da minha urina era neutro.

F.R




Sem comentários: